sábado, 14 de novembro de 2009

manhãs


Imagem maggie taylor

A primeira coisa que ela faz ao acordar é ir até a janela...

Conta horas espaçadas...
Julga a cor das azaléias...
a densidade acinzentada do muro de heras.
Suga o azul, sem remorsos, degela os vermelhos,
quão pálidos são os muros da casa do vizinho!

Que frio são seus olhos quando peço...
quando quero...
quando...
quando...
Vou fazer uma calda de rosas,para adoçar a sua alma.
Assim quem sabe...
Quem sabe.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

eu sei




Se eu berrasse toda minha dor, talvez eu não estivesse aqui como pugilista, me nocauteando ainda no primeiro round.
Não,não estaria.
Talvez eu pudesse digerir o mantra da semana: Eu sei....eu sei....eu sei....eu sei...
Eu sei de tudo, mas não quero saber.
eu sei que não tem mais volta.
Mas não quero saber.
Eu sei que seus olhos estão em outra pessoa.
Mas não quero saber.
Não quero saber de nada.
está tão escuro... Vamos abrir a janela, vamos?
De repente se sol entrar, tudo melhora.
Tudo não ficaria assim...tão....
sem você.
Eu sei.
Tenho que aprender daqui pra frente.
Eu sei.
Nunca mais seus olhos de céu sobre mim.
Eu sei.
Caminhos opostos.
Direção inversa.
O caminho é para lá.
Eu sei.
eu sei.

Arruma um canto pra eu chorar.

Publicado originalmente no  http://ziriguidumpower.blogspot.com/

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

sobre o apagão de ontem à noite.....

Búbúbúbúbúbúbúbú

As ruas tão desertas...
Chuva no telhado..

Cenário de filme catástrofe.
Igualzinho. Sem tirar nem pôr.

Fui dormir a base de calmantes.Me estressei com o Bi brincando com as velas.
Me estressei com o mundo e com o Rio de Janeiro tão dependente dessa Usina de Itaipú...

Sem alternativas, sem tv, sem net, chegamos ao século XXI fazndo sombras na parede.

maitena

Oito coisas para se fazer quando a depressão baixar ( In: Mulheres Alteradas Volume 1)



 

terça-feira, 10 de novembro de 2009

salvador, bahia.

Estou com viagem e hotel reservado para três noites em Salvador.
Meu voo é dia 19, ao cair da noite.
Como sempre faço antes de viajar, percorro sites de viajantes para ver dicas sobre lugares e pessoas interessantes, pois este é o meu conceito de viagem: Sou viajante e não turista.
Gosto de me misturar, comer onde os nativos comem, andar de ônibus, conversar com taxistas, garçons, me amarro em ver a vida cotidiana  da cidade.
Estava dando uma olhada nas dicas de viagem e devo dizer que fiquei um pouco assustada com o que li sobre a violência da cidade.
Claro que como moradora do Rio, eu não me deixo abalar por conversinhas tão facilmente. Sei o que é morar numa cidade e numa região cercada de pré-conceitos.
Sei também o que é morar numa cidade sitiada pela  violência urbana.  
Mas fiquei preocupada.
Embora quando tenha viajado para o México, aos pessoas me recomendaram tanto, me falaram tão mal da comida, das pessoas, do lugar, que só fui relaxar dentro do avião voltando pra casa.
Depois me arrependi e creio que não dei ao país o valor que ele merecia, tanto que quero voltar lá o quanto antes. De repente no ano que vem.
Então não vou me deixar levar. Vou relaxar.
Vou pra Salvador com meu caderninho contendo  anotações e planejamentos dos lugares  e pessoas que desejo conhecer e tenho certeza que vou voltar de lá cheia de novidades e boas impressões.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

cilada

Hoje recebi a revisão do meu texto " A História de Chico Mendes para Crianças" que  será lançada, se deus quiser, em março do ano que vem.
Não sei onde estava com a cabeça que mandei pra editora o texto revisado só mil vezes.
Depois de hoje,  vi que devo revisar umas três mil vezes a mais antes de mandar  o texto final para a editora.
Não é à toa que o mundo gira como gira.
E a editora de  numa delicadeza....(rsrsrs), mas faz parte do show.

 Fora isso, eu fiquei com uma puta satisfação.... É o meu primeiro livro por uma editora comercial.... estou literalmente emocionada e torcendo para que as coisas comecem a acontecer.

Sei que o livro tem 24 páginas, que as ilustrações estão lindas, que a minha bio já foi revisada  e que decidi  manter  o Fátima  Reis como assinatura de capa ao invés de Fafi Reis  que é simpático e bonitinho mas que meus filhos acharam que não eu  deveria mudar  o nome no meio do caminho.

Eu quase  ri, ôpa, meio do caminho nada, ainda estou o inicio da linha da primeira página.
Mas tudo bem, tudo bem, tudo bem...

Nesse final de semana descobri que estou perdendo minha paciência com essses politicos. E descobrir que eu ainda tinha algum tipo de paciência, me enervou demais.

Assinar ponto eletrônico e pá-ti-cum  no aeroporto, vinte minutos depois numa tremenda quinta feira é demais! E todo mundo achar isso normal ?
Chega a ser tedioso e aterrador o  senso comum do pessoal que  acha isso normal, que desconversa do assunto ou que apóia mais essa  prática instalada na casa, ou no  melhor português sem revisão, mais  essa semvergonhice desses deputados canastrões.

Eu não sei o que estou fazendo nesse mundo meu deus! E o pior, educando três criaturas na base da "Paz, Amor e Ética!"

Meu deus, meu deus, em que cilada e fui me meter?

Po falar em Cilada, pra mim esse é  um dos programas mais legais e assistíveis da Tv a cabo. Eu amo as furadas  em que o Bruno Mazzeo se mete. No  último episódio ele arruma uma namorada que canta mal  pra cacete e no final,  ainda tem que aturar a musica gravada pelo  Jorge Vercilo  tocando no rádio. É  tudo de engraçado.
O melhor mesmo é  que  Cilada reprisa domingo, na horinha do almoço,  e salva este dia cruel, em que não passa nada de bom na programação, nem na tv aberta, nem a tv a cabo.

Talvez os mundo não esteja tão perdido assim, né não?

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

this is it


 
Acabei me rendendo e  fui assistir  "This is It".

Achei que tava de saco cheio de Michel Jackson, mas sabe que foi muito bom ter ido assistir ao filme? E se você  tiver com a mesma sensação que eu estava, não  ceda a sua intriga íntima, vá ao cinema.
Nem que seja por curiosidade, para poder ver a quantas andava aquela alma antes de morrer.

Mas não espere encontrar nenhum sinal da tragédia inesperada. Não há sinais.
Há um artista comprometido em fazer o melhor e exigindo o melhor dos artistas ao seu redor.
 Eu me surpeeendi.

Michael estava vivo.
 
A animação dos fãs antes do espetáculo, ou melhor, antes da sessão era contagiante. Nunca me diverti tanto vendo um filme. Parecíamos que fazíamos parte daquilo lá. 

Um Michael Jackson em forma, cantando muito, dançando menos do que há vinte anos atrás, perái eu falei  vinte anos atrás?

Tudo bem,o cara não estava dançando como antes, mas prefiro pensar que era ensaio,  que ele não queria dar tudo de si e etcetera e tal, mas os passos principais que o imortalizaram estavam todos lá.

Gente, o Michel Jackson estava lá, inteiro, cantando, algumas(poucas) horas botando os buchos pra fora, e dando show de gentiliza.

Muitas pessoas cruéis, arrogantes e prepotentes  que rondam por aí, deveriam ver nessa atitude  um  grande exemplo. Um cara famosíssímo, riquíssimo, e depois pseudo pobríssimo, enfim uma celebridade moderna, esbanjando modéstia e gentilleza.

Só me fez confirmar o que o profeta já dizia: Gentileza gera gentileza mesmo!

Eu particularmente gostei do filme.

Mas não espere bom gosto viu?Tudo  é demais.Luz demais, fogo demais, tudo Michael Jackson demais.
Imaginem que tem até uma retroescavadeira no palco!

Foi  engraçado ouvir o  Diretor Ortega, falando "Uau! isso é Rock and roll".

É um mega show delirante  decadente.
Mas acredito que quem tivesse  a oportunidade de assistir ao vivo, iria gostar.
Os seus fãs iriam gostar.

Até as indefectíveis ombreiras parecendo orelhas de gato estavam lá, seus gostos por marchinhas militares também, a famosa  pegada no...você sabe onde... Presente!

O Xexeo  na sua crônica de quarta feira mandou levar a caixinha de lenços de papel yes para a hora da canção I'll be there.
Mas eu que sou a maior maria chorona do mundo, não derramei uma lágrima. Estava mais preocupada em curtir tudo.

O show  ainda surpreende com umas guitarradas iradas.(Aí sim, puro rock and roll)(!?.)


Mas tudo aquilo que vi e ouvi  me deu um sentimento esquisito.

Desde que nasci que o Michael Jackson está no mundo. Ainda  quando eu era uma criança, ele  já  era um pré adolescente famoso.
Vi  ele  tornar-se  o grande  astro pop, dancei Billie Jean, Beat it, não ia pra escola sem ver o vídeo de Trillher na Band, fiquei chocada enquanto  ele ia  se tornando branco, sem nariz, sem forma, tive a desfaçatez de acompanhar o seu julgamento pela E!Entertenaiment Television e tudo o mais .

Foi o mesmo vazio que senti  quando o Elvis morreu.Eu era bem novinha, mas cresci vendo o King Creole cantando na Sessão da Tarde.

(Pára tudo! E  quando ele cantava  Sylvia e May Way?E aquele sorrizinho safadinho que deus lhe deu?Uau!)

Enfim.

Sabe, no final de tudo, o vazio  é  a simples  percepção que  a vida passa mesmo.

Elvis está morto.
Michael Jackson está morto.

This is it.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

triste trópico, trópico triste

Estou tão chocada com a série de reportagens de "O Globo" sobre  como o crack está se inserindo gradativamente na vida dos meninos e meninas de rua  e na classe média do Rio.
Coisa triste.
Cenas tristes.
Concordo com Rubens  Cesar do Viva Rio que diz  que estamos meio que cansados de ficar chocados com essas cenas,somos transeuntes culpados que se deparam todos os dias com os  mesmos problemas, e  nos acostumamos a virar as costas para estes meninos e meninas.

Quisera eu poder fazer alguma coisa. Você pode fazer alguma? O que nós podemos fazer?Vamos nos juntar pra fazer algo?
Ainda é possível fazer alguma coisa?
O que eu posso fazer?Eu  simplesmente gostaria de saber como lidar com isso.
Mas me sinto muito impotente.


Bem, depois que  acabei de ler o jornal de hoje, nunca mais serei a mesma:

1º - Levi Strauss morreu. Esse final de semana  conversei muito sobre ele, e o engraçado é que dormi com Triste Trópicos debaixo do travesseiro, porque na verdade, estou sendo tentada a fazer  um trabalho com os indios nambiquaras, e Strauss entre eles  é uma grande  referência.(Inclusive quando ele fez 100 anos há alguns meses atrás, alguns nambiquaras iriam até Paris, tocar flauta para ele, mas o encontro infelizmente não aconteceu.Eu que já tive a oportunidade de ouvir uma flauta nambiquara, posso dizer que o som é inesquecível e que ele teria gostado imensamente da homenagem.)

2º- Quem o  Fernando Henrique Cardoso pensa que é hein? Acho que ele sofre de amnésia crônica.

3º-Estou devastada com a questão do crack na minha cidade.Podia ser até coisa de gente ingênua, mas nunca achei   que fosse ver esse troço tão infiltrado nas nossas calçadas.

4º- Tremenda dor de cabeça-Meu sonho de ser cronista, vai se esmorrecendo aos poucos...
(imagem Maggie Taylor)

Hoje de manhã acordei decidida a enfrentar de vez a  minha situação.

Certas decisões fazem uma diferença danada na vida de uma pessoa. Eu por mim mesma, tomei uma decisão que nada interfere na vida alheia.

Decidi que tenho que focar a minha escrita em algo pálpavel.
Não sei bem o que isso significa, mas deve significar algo, pois na hora que pensei  achei realmente que estava tomando a decisão que iria mudar meu destino, tomar a rédea do meu caminho, enfim, aquela luz no fim do túnel.

Achei que as coisas por aqui andam meio insossas e que devia alguma escrita  de qualidade às pessoas que ou caem aqui de paraquedas ou realmente frequentam  acreditando que eu tenha algo para dizer.

Esse ter algo para dizer é uma coisa meio estranha quando você escreve de manhã e seu estomago está na verdade querendo que você desça e tome um café, vendo Ana Maria Braga, afinal, ninguém é de ferro, para filosofar em  tão tenras horas, ainda mais com a  barriga vazia.

Mas retomando, decidi que agora só vou escrever coisas  sérias, e que interessem a um público variado.

Nada de ficar falando em coisas pessoais como "Hoje é o meu primeio dia de férias, não sei se morro de felicidade ou de tédio," ou então "Vocês viram as últimas crônicas do  Xexéo? ou "Estou sofrendo de depressão profunda, não sei se corto os pulsos ou  se vomito até morrer."

Ou dou dicas sérias: Leiam  Piauí.

A verdade é que nesses dias, estou tentando me dar uma levada a sério, se por acaso, eu não conseguir, me perdoem, o ser humano é fraco mesmo, e essa capacidade humana de rever é tudo na vida de uma pessoa insegura como eu.

Mas não poderia terminar o que nem comecei sem  dizer  que o que gostaria mesmo era que a minha porção MM (Marta Medeiros) entrasse em ação, pulasse no campo e pimba na gorduchinha!

Queria uma porção dessa   maga da fala popular, que diz  uma coisa e todo mundo entende, que tem a peraltice de se  dizer uma chata, e todo mundo achar marailhoso.

Mas como vou dizer pra todo mundo  que eu também sou  uma chata? Tenho somente 3 leitores assíduos que descambarão pra outros lados se descobrirem a verdade de mim mesma.

Corre o risco até de eu mesma, descambar pra outros lados.


Apodrecer sozinha  no facebook.

Viagem de careta dura pouco.

Não adianta muita coisa querer ser cronista.
Isso não se aprende num dia, nem se decide de próprio punho.


Estou com preguiça. Vou tomar  o meu café.

terça-feira, 3 de novembro de 2009


"Meu Deus! Meu Deus! Como tudo é esquisito hoje. E ontem era tudo exatamente como de costume! Será que fui eu que mudei à noite? Deixe-me pensar: eu era a mesma quando eu levantei hoje de manhã? Eu estou quase achando que posso me lembrar de me sentir um pouco diferente. Mas se eu não sou a cmesma, a próxima pergunta é: Quem é que eu sou? Ah, essa é a grande charada."

Quem disse isso? Alice in Alice no País das Maravilhas.

Qualquer semelhança é verossimilhança.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

mulher borboleta


Em minha defesa eu falo que não estou nem aí para o que pensam de mim.
Não preciso provar nada pra ninguém.
Sou a dona do meu nariz.

Demorei tempos pra definir minhas prioridades e apanhei muito da vida por conta disso.

Sou responsável o tanto que é possível e porra lôca o quanto quero. Menos do que gostaria.Menos do que me permito.

Tenho meus dramas pessoais, muitas vezes não sei para onde vou, sou indecisa, insegura, tenho vergonha do que escrevo e acho que por isso publico tão pouco.

Não ligo de receber nãos.

A vida é tão generosa comigo.
Deus é tão generoso comigo e cuida tanto de mim.
Meus amigos são escolhidos.
E posso me dar ao direito de mandar ás favas a razão.

Sou mulher borboleta. Livre, voo por ai. Jardim em jardim.

De vida curta, como pimenta de arder os olhos, suplico de joelhos e acolho meus rebentos no colo.
Porque assim é que deve ser.

Em minha defesa, só tenho a dizer: Minha escrita é libertadora, e eu só quero ser feliz.

imagem da Maggie Taylor ( eu não canso)

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

jardim das esculturas

Perto de Melbourne, na Austrália, numa pequena cidade chamada Marysville, podemos encontrar um jardim original constituído por uma grande mancha de floresta tropical. O que o torna peculiar é não só o facto de se situar dentro de uma área urbana mas sobretudo a enorme quantidade de esculturas que se encontram disseminadas por todo o lado. Ao todo são mais de uma centena de figuras de terracota com formas de crianças, duendes, sereias, animais fantásticos e outros seres fabulosos que parecem saídos de um conto de fadas e que se fundem com o ambiente como se ali fosse a sua casa.





O autor dessas esculturas e também proprietário do jardim é Bruno Torfs, um artista sul-americano que se radicou na Austrália há alguns anos e aí encontrou terreno apropriado para concretizar este seu projecto. Começou com quinze esculturas ao ar livre e um pavilhão onde exibia mais algumas obras suas, tais como desenhos e pinturas. Porém, depressa se apercebeu das potencialidades da escultura e é nela que tem concentrado o seu trabalho.
Actualmente o jardim da escultura, como lhe chama, é uma enorme galeria de arte no meio da Natureza a que continuamente são acrescentadas novas obras. Parece paradoxal que a arte, que como criação humana se deveria distinguir da Natureza, se encontre aqui numa perfeita fusão com o ambiente natural.



Fonte: Obvius.