quinta-feira, 6 de março de 2014



-Ahamm. Ele ainda me faz rir.
- Então pode-se dizer que você é feliz ao lado dele.
- Quem sabe.

domingo, 2 de março de 2014

Faço o caminho inverso.
Não quero postagens no facebook, nem descortinar minha intimidade para desconhecidos amistosos.
Minha intimidade são as minhas palavras, minha sina de menina.
Não quero falar da minha vida e nem saber o que alguém está pensando agora,, neste  exato momento.
Se foi ao cinema com o amante.
ou se matou a própria tia.
Não quero curtidas em tragédias pessoais, nem saber o menu do almoço.

Melhor sumir, e esquecer as plataformas surreais.

Faço o caminho inverso.
Um caminho ulterior, uteriano, desconcertante e hermenêutico.

Um caminho sem volta.
E as coisas vão.
Vão mesmo quando suas pernas param pra descansar.
quando seus ombros pedem pra arregar.
As coisas vão.
mesmo quando parece que  o mundo vai acabar daqui a três minutos e, você não  não  vai ter tempo, sequer de se despedir de quem  é importante pra você.
As coisas vão.
As coisas são assim.  

Flor do Cerrado - Gal Costa e Caetano Veloso

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

De volta ao ponto inicial.
De volta a fase terminal.
De volta ao ponto de chegada. De onde nunca deveria ter partido.
Eu sei...
Eu sei...
E sempre deveria ter sabido.
Mas se a manivela não funciona, como a máquina vai andar?
Vou recitar verbos.
Se eu não me olho, tu não me olhas
Se tu não olhas, eu não me olho
se ele não me olha, ele não me olha
se nós não nos olhamos, pra onde vamos?

E assim, como a água sempre encontra um meio.
volto praqui.
Da onde nunca deveria ter saído.

domingo, 1 de dezembro de 2013

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

na cidade, parecer.
cabelos lisos, domados, impecável amarelo
tons de vermelho, salto alto.

deusa.

no mato, revelar.
mulher selvagem
anca primitiva
olhos no meio do rio.

Tesa.


terça-feira, 5 de novembro de 2013





Estava aqui pensando com os meus botões...Como fazer que essa palavra estrangulada... ressuscite?

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Não adianta falar  coisa alguma.
Os ouvidos se fechem automaticamente quando não se quer ouvir.
São como  os olhos caídos de sono que não que não respeitam coisa alguma.
O sono atropela as coisas
 A falta de paciência também.
 A intolerância e todos os bichos mordazes que vão nos roendo as entranhas também.
Os desejos que guardamos dentro de minúsculas caixinha de musica, também.
Guardamos os medos pra ninguém ver.
Pra ninguém notar que existem.
E os medos, aqueles medos de falta de amor de mãe,  de medo que o pai morra e que o céu caia sobre as nossas cabeças permanecem por mais tempo que deveriam.
 O que são esses medos?
Medo de envelhecer e perceber que igual adolescentes, não sabemos pra onde ir.
Porque estamos ali, numa zona desconhecida, e pior, sabemos o que pode vir pela frente.
Algumas vezes, não esquecemos do que deixamos pra trás.  
 Mas medo mesmo eu senti, no dia que sonhei que acordava.
Eu  tive um sonho e  pensei que estava acordada.
No meio da noite eu abri os olhos, e o céu estava de um vermelho alaranjado.
Eu sabia que era de manhã, meus instintos sabem de manhãs, mas as sombras carregadas impediam de identificar se era dia ou se era noite.
Mas eu sabia que era dia.
Percebia a manhã como o poeta percebe a palavra.
Eu devia estar acordando aquela hora. Era a  hora que  o despertador sempre  tocava.
Todos os dias, religiosamente, todos os dias, na mesma hora, com sua música enjoada.
 A janela da sala estava aberta e o vidro trepidava de mansinho com o vento que batia nas árvores mas não chegava até mim.
 De repente, um enorme anjo caiu na meio da sala.
 Não pude ver seu rosto porque ele era gigante.
Só pude ver os dedos dos seus pés.
 Descalços.
Não sei se os dedos eram brancos ou marrons.
Transparentes.
Eu tremia, um tremor revolvido, que vinha das profundezas dos meus medos infantis quando achava que o mundo ia acabar por um estalar de dedos do aiatolá khomenini e seus olhos caídos.
Num frenesi eu sabia que  tudo estaria acabado, em poucos minutos.
O anjo apocalíptico veio me buscar.
Ele estava ali no meio  da  minha sala e eu não conseguia ver seus olhos.
Mas ele estava ali.

Um gigante devorador,  e eu nem pude ver se ele tinha asas.



Gosto das palavras que dizem tudo.
Pêndulo.
Oráculo.
Podre.
Peido.

Solidão.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013


Ok. Vamos lá então.
Exercicios de boa convivência, quando você simplesmente não faz questão, não fazem mais parte de  mim.
Sorrir quendo na verdade, você tem vontade de esganar
 Cansei de tolerar conversas, pessoas, projetos que não te levam a lugar nenhum
Não  tenho  mais paciência para fingir que não estou vendo, ou que estou gostando.
Agora é assim. Vamos lá então.
se não gosto, não gosto.
se não quero, não falo, não faço, não converso.
Se não vejo,  é porque não estou vendo mesmo, e nem fazendo questão.
E ponto duplamante final.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013


Faz frio no Rio de Janeiro.
Podem rir quem vive abaixo dos 0 graus.
Mas faz frio no Rio de Janeiro. 18 graus e sair debaixo do cobertor é tão dificil, quanto ás vezes é dificil viver entre  meias verdades.
O céu cinza e o  vento manso, é quase uma novidade, acostumados ao sol desértico e voraz que nos consome 350 dias por ano, porque tenho certeza que  os outros quinze, varia entre um sol escaldante e um sol morno que sempre nos lembra, que ele é fiel, e nunca  nos deixará.
Sempre quando é inverno e  me encontro debaixo do cobertor, penso em fevereiro e minha alma treme, não de frio  mas de terror.
Lá em fevereiro, não muito longe, está o pior calor da vida de uma pessoa humana. As coisas  ficam contorcidas, e como um expedidor perdido no Saara, não vemos a hora de encontrar um cálido e repousante oásis, que  se resume simplesmente em um ar condicionado.
Sim, tudo no Rio deveria ter ar condicionado, é o minimo numa cidade onde o sol, fiel, nunca nos abandona. Discussões sobre o consumo responsável, fica para uma outra postagem.
Então, sempre quando estamos no inverno, divago sobre o verão, torcendo que ele nunca chegue.
Me falo internamente: - Ai, o Rio podia ser assim sempre... Esse frio, esse céu, mas sem chuva, porque a chuva, bendita só serve para os sábados e domingos, em que estamos muito cansados e o sofá, o café e  um bom livro, um bom filme é tudo o que a gente merece naquele dia.
Mas sempre quando falo isso, me vem  imagens de um lindo por de sol em Buzios, do chopp gelado descendo sua espuma na garganta, os banhos gelados de Rio, o ar refrescante do Jardim botãnico, um banho de mar com as crianças, o céu  azul absurdamente estonteante de Arraial, a cidade onde o sol passa o inverno...e as pessoas  borbulhando nas ruas...
O jardim fica com um verde diferente, tudo é  intenso.
E me dou conta que nunca viveria sem o sol.
Por mais que eu treme em saber que ele  vai chegar em breve, fiel e soberano, e me causará um transtorno interno, eu vibro com sua chegada, quando os dias nascem mais cedo e demora a querer ir embora.
Escuto Cariocas com Adriana Calcanhoto. É. Talvez. quem sabe.

segunda-feira, 3 de junho de 2013


Se existe tempo para as coisas terminarem ou começarem,
 Se existe tempo para  as plantas brotarem,
 para os amores despertarem,
Também existe o tempo para recomeçar.
Partir do zero da  vida constituída. Ir onde nunca  se pensou  chegar.
Isso requer, partir pra cima do destino, esfregar na cara  da vida, nosso peito de aço adquirido nas tranqueiras diárias,  significa empurrar pra debaixo do tapete o medo, que acumulado, só traz desequilibrio e paranóia.
Re-começar, significa às vezes, sair  de nenhum ponto de partida, mas  querendo chegar no alvo apontado pela seta, que direciona nosso coração.
Se existe tempo para todas as coisas.
 E se o mundo, por ventura, for mesmo dialético. assim tambem são nossas escolhas.
Ser obrigado a  viver uma vida que não se quer viver, aturar pessoas que não mais suportamos, continuar em trabalhos que subjugam nossa inteligência, comungar com amigos que não reconhecem nossa força interior, se dedicar a amores que não sabem nada da nossa fragilidade, é simplesmente aceitar que a vida não tem movimento.
 Há que sermos Dom Quixotes.
E experimentar a suprema aventura, do ser humano, que é viver...
 Há que sermos Dom Quixotes de nosso próprio destino.
 E arder no inferno das nossas escolhas,
Dormir em cama de capim por nossas escolhas,
Ver florir  campos com nossas escolhas,
Desbravar desertos com nossas escolhas,
 Essas escolhas, que são tão nossas,  e que nos constituem, e que por vezes deixamos de lado, porque acreditamos que existem outras prioridades,  e que é preciso fazer  mil concessões para o nosso bem estar e  o de nossos pares.
Há que sermos Dom Quixotes
Assim, sem mais nem menos,  floresceremos.
Aos 20,  aos 30,  aos 40,  aos 50, aos 60. aos 70 ,  aos 80...
Nós somos nós mesmos em todas as idades.
Só a carcaça, o velho corpo é que envelhece.
Mas a gente  ainda tá lá. Borbulhantes como no primeiro dia em que respiramos fora do útero  da mãe.
Estamos  neste mundo  e merecemos a vida. Porque ela é curta.
E ninguém nunca voltou pra dizer o que tem lá do outro lado.