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domingo, 27 de maio de 2012



Foi assim.

A curiosidade se transformou em calidez do espanto.

Espanto porque nunca pensei que...

Espanto porque cheguei tão perto...tão perto..

E se a vida se mostrou infrutifera eu tenho certeza que a culpa é minha...

Minha avidez as vezes me torna diferente do que sou.

Me lembro que meu pai me carregava nas suas costas e eu era feliz.

Me contava histórias antigas e eu não vislumbrava o futuro, só o passado.

Com seus olhos eu via as oliveiras em flor.

A colheita da azeitona

A feitura do azeite.

Sentia os cheiros e gostos das suas palavras, e ali eu vivia em territórios que somente existia nos sentimentos dele...

O cheiro de Aveiro.

E vivi disso até que aprendi que somos feitos de narrativas.

Nada do vivido tem mais importância depois que tudo passa. Só a memória daqulo.

E entre minhas memórias, vou des-construindo o momento de te visto pela primeira vez.

Assim, vivo tudo de novo. E só guardo o que me interessa lembrar. Assim, não enlouqueço, e não acontece nada. Tudo de ruim vai embora e fico apenas com seu abraço.