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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

quebra quebra no japeri


Gosto de frio, mas não sou fã de chuva.
e como chove nesse Japeri meu deus!
Por falar em Japeri, estava lendo as matérias nos jornais sobre o quebra quebra de ontem nas estações da baixada.
E como todas as informações são pejorativas para falar do cidadão fluminense!!!!

Quando minha filha me perguntou porque "eles" precisavam quebrar as catracas, eu respondi: revolta pelos anos de descaso, revolta porque os trens da baixada parecem os trens que levavam os judeus para os campos de concentração, isso obviamente guardadas as devidas proporções, e sem querer mexer nas histórias sagradas de ninguém.

Mas quem olha pra esse povo da baixada?
O governador não pode, está sempre viajando. Organizando as olimpiadas 2016.
Está organizando o futuro.

Eu pergunto: Hei, tem alguém aí no presente, interessado em modernizar a malha ferroviária para os trabalhaores de Japeri, Nilópolis, Queimados, Belford Roxo, Santa Cruz, Nova Iguaçu, Mesquita e adjacências?

Onde está o projeto que inclui a modernização dos trens do ramal Japeri/Santa Cruz para as olimpíadas de 2016?

Oppssss. Esqueci. Essa camada da população está excluída.

Os trens são para quem mesmo?

Eu entendo bem de trens.
Falo de cadeira, ou melhor de banco.

Chacoalho nestes trens há 42 anos. Desde que o trem de Japeri era chamado de 33.

Já peguei todos os horários de trem: O primeiro, o último, o das 5h da tarde na central, o das 6 da manhã em Queimados.

Eu entendo de trens.E sei o que os passageiros sofrem.
As humilhações.Os atrasos. Os descasos. A pouca vergonha das concessionárias.

Vi também as mudanças de concessionárias. Acompanhei o fim da Rede Ferroviaria Federal e de seus truculentos guardas federais de uniforme marrons, irem pro escambau.

Acompanhei o fim da CBTU, com seus truculentos guardas de colete azul irem escafeder-se num mar de corrupção e abandono.

E agora, acompanho a Super Supervia com seus truculentos guardas de colete vermelhos e apitos intransigentes, divideram a força bruta com seus amiguinhos, guardas de uniforme preto, com caras de mau, com seus super hiper cachorros de caça.

Eu queria ver se o Governo do Estado iria permitir que uma empresa de transporte público colocasse guardas com pastores alemães, nos coletivos da Barra da Tijuca, Ipanema, ou o Leblon do seu Manoel Carlos?

Porque no Japeri pode?

Isso é falta de respeito. É imposição pela força. É coação.

Vocês sabiam que não há banheiros nas estações da central a Japeri? São aproximadamente 1h e 45 minutos de viagem, em condições desumanas, é claro.

Se alguem tiver uma dor de barriga, tá lascado.

Meu pai infartou dentro do Japeri e saltou em Austin para vomitar e sentir a sua dor em paz. Ele não sabia que estava infartando, mas se em cada estação tivesse um posto de atendimento,atenderiam meu pai e lhe prestariam os primeiros socorros, talvez ele não tivesse morrido.

É facil colocar a culpa no maquinista,pois o ditado popular é bem claro: A corda arrebenta sempre do lado mais fraco.

É facil também colocar a culpa no povo pobre, sem educação, que se esconde na baixada fluminense, afinal, são uns bichos, não são gente.

É fácil, porque aqui a maioia das pessoas é pobre, e com pobreza se lida assim: desmoralizando, com desrespeito, colocando pra baixo o que não tem mais jeito.

É.

Assisti o quebra quebra ao vivo, com o coração partido.
Aquele povo parado na linha,depredando tudo, a poucos metros da estação, sem esperança, sem dinheiro, sem avisos...

Aliás, avisar pra que né gente?
Pobre tem que adivinhar.

Uns diriam: A culpa é do sistema.

Sistema? que sistema? Sistema não tem nome.
Não tem fundo nem culhão.

Aff. Vou parar de falar.

Sabe porque?
Como passo por isso na pele, não consigo ser imparcial.