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domingo, 17 de junho de 2007

Estou lendo um livro do Rubens Alves intitulado " Um céu numa flor silvestre" .( ed. Verus)
São crônicas onde o escritor reflete sobre a beleza, e entre elas, a existência de Deus.
Não pude deixar de transcrever essa passagem, que achei muito legal.

"Com isso ofendem Deus:pintam-no como pássaro engaiolável. Mas Deus é Vento (é isso que quer dizer a palavra Espírito), não pode ser engaiolado como passarinho.
" Tudo aquilo para que temos palavras é porque já passamos adiante", diz Nietzsche.
Em outras palavras: não adianta. Quando a gaiola se fecha, é porque o sagrado já voou para outro lugar, Deus está sempre além das palavras, no lugar onde as palavras não chegam, onde só existe o silêncio.
"A palavra, diz Adélia, "é disfarce de coisa mais grave, surda-muda, foi inventada para ser calada".
As gaiolas de pegar Deus tem muitos nomes: rezas,..., novenas, oracões, mantras, promessas,templos, Bíblia, Corão.
Mas só os cegos não percebem que elas estão sempre vazias".

Acho que não é preciso dizer mais nada, não é mesmo?

Estou me embriagando com estas palavras. E o melhor, não tem ressaca no outro dia.

Recomendo à vocês esta bebedeira.