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domingo, 24 de junho de 2007

Manual de sobrevivência de uma autor novo

Existe um programa na Nickelondeon chamado "Manual de Sobrevivência Escolar do Ned" onde um menino e seus amigos criam um manual de como lidar com situações inusitadas que acontecem no colégio.

Seria muito bom se inventassem um desses manuais para os novos autores, como eu.

Não sei se isso ia dar conta da imensidão de insegurança que acompanha quem está na luta, buscando seu lugar ao sol. (Falo por mim, apenas por mim. Sou de uma insegurança que me dá medo )

As editoras para mim, em meu imaginário, são castelos cercados com muros bem altos, bem altos, que podem ser tornar intransponíveis para alguns.
São poucos os que conseguem chegar até a porta do castelo, entrar, sentar-se ao lado do rei e banquetear-se .

Faz um tempinho, estava lendo no jornal sobre um grupo de editores e editoras falando do monte de originais que chegam às editoras e que mais de noventa por cento não são sequer considerados. Alguém na reportagem,chamou esse material enviado, se não me engano, de "Pilha das Ilusões".

Fiquei com isso na cabeça um bom tempo.

Sofrendo da tal insegurança crônica, vocês podem imaginar como me senti ao ler isso.

Fiquei envergonhada de mim mesma, deprimida, arrasada.

Quer dizer então, que venho enviando meus originais vezes sem conta,para um lugar que, além de fadado ao fracasso, é visto preconceituosamente como o lugar dos desprestigiados, dos sem indicação, dos sem amigos no meio.

Resta-nos, autores novos, a indústria dos concursos de literatura.

Mas não é preciso ser nenhum Mago Merlim para saber que os grandes autores participam e ganham vários destes prêmios.É só dar um olhada no currículo de vários deles,principalemnte os de literatura infantil, que é o meu caso.

Descobri em algumas andanças literárias que vários autores renomados esperam ansiosamente por estes concursos.Principalmente os grandes concursos, porque além da grana boa de prêmio, há um reconhecimento geral.Tipo: Imagina ganhar o João de Barro? O Barco a Vapor? o Fundalectura?

É um grande reconhecimento para qualquer um. Além de um abridor de janelas.

Mas não sou louca de achar que os grandes não devam participar dos concursos.

Antes pelo contrário.

Acredito que todos devam ter seus direitos de participação, sejam lá no que desejem fazer.

Quem é bom,(e persevera) terá seu espaço alicerçado. Dia menos dia.

Se tem uma coisa que acredito e respeito (apesar de tudo) é a democracia, que pretendo levar para o caixão, quem sabe não preciso dela, numa outra vida?

Sei também que o mar não anda para peixe, principalmente para os autores, num país onde não se lê, em que a escola é formadora de analfanetos funcionais, e que o governo é o grande cliente nacional.

Sei de tudo isso.

Mas começo a pensar que só vale a pena ganhar algum concurso se vocêjá for reconhecido, porque senão de nada adianta vitórias e menções honrosas.

De nadinha mesmo.

Resta-nos então,autores novos, iniciar uma carreira ulterior. Ou seja, junto à nossa localidade: bibliotecas, escolas, centros culturais.

Quanto a mim,parafraseio sem pretensão alguma, Clarice Lispector. Escrevo, mas sou amadora, e não uma escritora profissional.

Escrevo por ... por necessidade...

Fiz outro dia, um apanhado do meu acervo literário.
Começei com poesia desde os oito anos de idade, mas a prosa, ah! a prosa, esta veio de mansinho e arrebatou-me.

Tenho até romance, que está sendo recortado há mais ou menos nove anos. Não consigo ficar feliz com ele. Demanda tempo. Demanda.

Aliás, a poesia me deixa feliz mais rapidamente do que a prosa, mas com todos os problemas, fico feliz com o meu material...

Mas feliz ainda,fico com o que está guardado em mim.

Os versos que não fiz.
As peças que não criei.
Os romances que estão nos becos da memória,
A palavras embotadas dentro do meu coração.
Meu contos e crônicas que serão feitos pela manhã, na companhia exagerada dos passarinhos no buraco do ar condicionado.

O que me motiva a continuar escrevendo, é a verdade lógica irrefutável de todo escritor, ou seja, a própria palavra, ou melhor, o amor à palavra.

A palavra que por vezes se torna a minha melhor amiga, e às vezes minha inimiga mais feroz e obstinada.

Continuo escrevendo não para publicar, mas para continuar de alguma maneira ocupando um espaço neste mundo.

Até que meu pai e meu irmão venham me alcançar nos portões do paraíso.