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terça-feira, 24 de julho de 2007

Meninos Escravos em Gana




Ontem eu vi o programa da Oprah, na GNT, onde sua equipe de reportagem fez várias matérias em África.

Uma delas tratava da venda de meninos para pescadores pelos próprios pais, em um país chamado Gana.
O trabalho dos meninos, é essencialmente tirar água do barco pesqueiro.Além do trabalho árduo, as crianças não se alimentam devidamente e, em alguns casaos sofrem maus tratos e violências de todos os tipos.

As cenas foram inquietantes.

Não menos do que nossos meninos e meninas drogados com crack na Praça da Sé, ou dos nossos meninos e meninas dormindo sob marquises nas ruas dos centro do Rio.

Mas a imagem de crianças sofrendo , para mim, é sempre inquietante. SEMPRE.

Caramba! eu sei que não é de hoje que as crianças sofrem nesse mundo.

Na Idade Média já era assim, na Revolução Industrial idem, na China, as meninas padecem por nascerem mulheres, até hoje.

E tem ainda os meninos carvoeiros,os meninos quebradores de pedras,os meninos que cortam cana de acuçar, Os meninos do sisal...
Meu deus! que mundo cão é esse que precisa tratar suas crianças dessa maneira?

Estou lendo um livro da Marilia Trindade Barbosa que se chama Consciência Negra, na qual através dos relatos de Grande Otelo, Haroldo Costa e Zeze Motta, a autora passeia pelo nascimento do Samba e da Musica Popular Brasileira.
Os depoimentos dados pelos três grandiosos artistas são arquivos históricos do MIS.

Logo na intodução está escrito:
"Criança sem fututo, sem escola, se não der sorte na bola, vai sofer a vida inteira."

Essa frase não é de nenhum pedagogo antenado, muito menos de um filósofo da educação, mas sim, de Nelson Sargento, negro, compositor, cantor, pintor de quadros e de paredes, que imortalizou essa triste realidade nos versos de um samba.
Que futuro realmente queremos para as crianças? Será que queremos um futuro bom apenas para nossos filhos? Será que somente nossos filhos merecem herdar o melhor? ter o melhor?

Mundo egoísta esse que vivemos.
De governos hipócritas, corruptos, descompromissados com vida humana.

Me lembro quando houve o massacre na Calendária, o número de crianças nas ruas do Rio,era pequeno em relação ao que é hoje. Daria para resolver se não todos, pelos menos alguns casos.

Era preciso dar cidadania, emprego e justiça para as famílias dos meninos que moravam na rua.

Mas nada foi feito.

Em Gana é possível resgatar uma criança dos pescadores por 320 dólares.
Mas se eles não forem para um lugar adequado, voltarão a ser vendidos novamente, pelos mesmos pais.

Alguns escapam dessa triste sorte, como um menino mostrado na Opraf, que depois de uma reportagem no New Yor Times teve sua vida transformada , pois conseguiu ser resgatado por uma norte americana que incorfomada com o que leu e viu, montou uma rede de amor e esperança, e conseguiu comprar a liberdade do menino e de mais seis crianças ganesas.

As crianças foram levadas para um abrigo chamado Village Hope, onde tem sua cidadania assegurada. E os olhinhos brilhantes demonstram que ali há bem mais do simples dever. Tem algo mais quente, mais vivo, mais terno...

Quando o programa acabou, eu estava em frangalhos.
Um sentimento de inutilidade me inundou.

Não podemos esperar mais nada deste govenrno que está ai.
Um governo onde é preciso que se morra pessoas para que se tomem providências.
Num país onde se aumenta passagem aérea para se ter segurança.

A verdade é que a gente se acostumou a ver nossas crianças de rua como monstros assasasinos e não mais como simples crianças.
Nos acostumamos com o trabalho escravo de crianças brasileirs,porque ora bolas, está tão longe de nós essa realidade. E afinal, o que podemos fazer?

Uma fixação noturna não me deixou dormir.

Nos acostumamos,nos acostumamos, nos acostumamos, nos acostumamaos, nos acostumamos, nos acostumamos,nos acostumamos, nos acostumamos, nos acostumamos, nos acostumamos...

Que pena que nos acostumamos...

Mas esta manhã acordei cheia de esperança.
Não sou sonhadora aos extremos.Sei que as coisas não são tão fáceis como eu gostaria que fossem. Sei de todas as coisas que nos impedem.

Mas uma pergunta me ronda:

Afinal, o que podemos fazer? o que podemos fazer? O que podemos fazer?