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quarta-feira, 3 de outubro de 2007

As questões Raciais na Escola


Segunda feira recebemos em Japeri, a professora Azoilda Loreto, doutora em Ciências Sociais, especialista e pesquisadora em questões sobre a temática de preconceito e racismo.
Mais do que uma especialista,Azoilda é uma mestra em vivência.
Em sua fala, ela nos leva a perceber, que se não estivermos abertos para assumir que somos racistas,não há como trabalhar com o tema em sala de aula.
Assumir nosso racismo, preconceito e ações discriminatórias, seria o primeiro passo para se repensar nossas atitudes e comportamentos e começar a exercitar uma maneira de viver anti -racista.
Sim, exercitar,porque racismo, preconceito e discriminação estão em nosso dia dia de maneira tão intrísecos, que às vezes não damos conta de perceber.
Então, aquela piadinha que a gente ri, mesmo sem graça, onde o negro, o português,a loira, o judeu, o árabe sempre se dão mal é uma forma de excercer uma ação de preconceito.
O desdém ao falar "- Isso é coisa de negro!"
Ué tem coisa de branco? de amarelo? de vermelho?
A palestra de Azoilda consolidou o que penso. A luta é ardua.
Lidar com gente é árduo.

Durante a palestra analisei o comportamento de educadores.

Um falatório geral.

Conseguimos o que queríamos, a meu ver.No buchicho, ouvia-se comentários contra, a favor...
Conseguimos! Levantar a questão, fomentar, fazer pensar, revolver, re-construir paradigmas era uma das metas.

Não se pode falar desses temas e ficar inerte. É preciso chocoalhar. Ainda mais, nós educadores que somos, por excelência, formadores de opinião.

Para uma pessoa afrodescendente de pele branca, assim como eu, não há sofrimentos de ações discriminatórias. Ninguém no Brasil quer saber se minha tataravó veio de navio negreiro de África e foi estuprada em uma fazenda de café em Vassouras.
Minha pele branca é como se fosse uma passaporte...para quê mesmo?

Estou brincando. Eu imagino muito bem o que significa ser negro num mundo onde se acredita que ser branco é o que há.

Escuto meus alunos falando dos insultos que sofrem. São chamados de macacos, burros...
Bicho né?
Sofro tanto que minha alma dói.

Como educadores não nos resta outra alternativa a não ser responder a algumas perguntas importantes?

Como nos portamos diante destas discriminações raciais?
Como nos reagimos ao vermos uma mulher negra ser discriminada e não poder subir no elevador social?

Eu sou uma otimista, e acredito que se alei 10.639/03 for aplicada copm decência e democracia a coisa pode funcionar.
Cabe a nós educadores, fazer com que ela funcione.

Continuo achando que a cultura e história africana pode nos redimir de tanta coisa...