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sexta-feira, 7 de novembro de 2008

hoje é dia de cecilia







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Quando a Leonor Cordeiro me convidou pra participar dessa blogagem coletiva ,fiquei muito feliz.

A Cecilia foi a primeira poeta que li quando aprendi a ler.

Sua obra me acompanhou durante toda a infância e eu nunca poderia me esquecer da poesia "O Menino Azul" que li a primeira vez num livro didático na escola primária.

Quando meu irmão morreu,inventei uma melodia para a poesia.

Sim, ficou uma coisa meio triste, mas é uma lembrança intensa que tenho e faz parte da minha história e não quero me livrar dela.

Dia desses no projeto de arte educação que trabalhei, li a poesia e contei para meus alunos a história da melodia que eu inventei quando era criança.

É obvio que eles quiseram escutar.Então cantei para meus alunos a poesia.

Choramos todos.Eu e minhas crianças.

Então não poderia deixar de postar, outra senão esta poesia neste dia do nascimento da minha poeta eterna.

Esses versos que me acompanharam nos momentos tristes mas que também servem para enaltecer dias alegres como hoje.

Um beijo para Leonor, para Cecilia e para todos que passarem por aqui hoje.


O Menino Azul

Cecilia Meireles

O menino quer um burrinho
para passear.
Um burrinho manso,
que não corra nem pule,
mas que saiba conversar.

O menino quer um burrinho
que saiba dizer
o nome dos rios,
das montanhas, das flores,
- de tudo o que aparecer.

O menino quer um burrinho
que saiba inventar histórias bonitas
com pessoas e bichos
e com barquinhos no mar.

E os dois sairão pelo mundo
que é como um jardim
apenas mais largo
e talvez mais comprido
e que não tenha fim.

(Quem souber de um burrinho desses,
pode escrever
para a Ruas das Casas,
Número das Portas,
ao Menino Azul que não sabe ler.)