terça-feira, 16 de outubro de 2012

Hoje estou mais feliz do que de costume.
não sei porque a escova que fiz de manhã deu certo e meu cabelo aguentou com retidão todo o calor que fez hoje no  Rio de Janeiro, ou porque de manhã, eu tenha celebrado a palavra com mais de 50 alunos na E. M. Etiene de Oliveira no primeiro encontro de Artes e Poesia da Escola.
Os alunos leram poesia.

cantaram.
dançaram.
desenharam a capa do meu filho, quer dizer do meu livro, "A Princesa Cambalhotista"
e eu fiquei assim. com um troço  pulsando por dentro,  que reverbera para fora, intenso.
Ver aquelas crianças  e jovens me olhando enquanto eu falava, e seus olhos nos meus, sem armadilhas, foi lindo. aliás, é sempre lindo demais.

_ Minha perspectiva hoje não é a mesma de quando eu tinha 7 anos e comecei a escrever poesia.
Hoje meus olhos enxergam o mundo de uma forma diferente.porque sei que em qualquer lugar, a qualquer momento, vai surgir  uma idéia, ou  não. Mas isso não é o que importa.
Hoje,  carrego comigo um bloquinho para não me esquecer do que pensei. Palavras, ideías, são assim, mesmo, vem e vão, e vocês esquece mesmo, e de repente perde a oportunidade de expressar o que estava vendo, ouvindo, sentindo....

Então é preciso ser disciplinado.Escrever não é fácil. É construção, mas isso se aprende. a vida vai ensinando a palavra vai te ensinando... A poesia eu gosto que venha sozinha. não gosto de trabalhar a palavra  na poesia. Já me acostumei com a idéia de minha poesia ser incompleta. Porque ela nasceu pra ser assim. Não sei ajeitar poesia. E faço como Adélia. espero inspiração. Agora prosa não, vou trabalhando muito, deixo  o texto dormir, revejo, corto, peno, choro, rasgo, desfaço, deleto... mas isso tudo você aprende"


Eu divagando...E eles ali me olhando.Me devorando.

 No final milhões de beijos.
e muitos  incentivos, e muitos abraços, hum lindo dia.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012



Lendo Galeano.
O mundo real na veia.
E uma pergunta que  a cada página me incomoda: Isso tudo faz sentido mesmo?
Esse mundo capitalista, imperialista, cibernético, diverso e múltiplo, mas preconceituoso, machista, racista, ganancioso, ás avessas...
Um mundo de imagens, exibicionismo, alter egos inflados,  de gentes indomáveis, de gente superior, de religião superiores, de deus da prosperidade,  um mundo que nega a ancestralidade, que nega o futuro, a esperança...
Um mundo cego, que vive às cegas...
Sei não.... não sei mesmo.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

tipo assim... difícil.....


Ser autora num pais que ninguém lê.
Ser autora infantil num pais onde um livro infantil não é acessível para todas as crianças...
É tipo assim...difícil...
E há ainda mais.
Publicar literatura infantil é como avistar um castelo ao longe. Para você chegar até ele, tem que primeiro subir um muro com bastante visgo. Você dá um passo para frente e trezentos para trás.
Ultrapassado esse muro, ainda  há sua espera,  um fosso cheio de jacarés... e detalhe: não tem ponte para atravessar.
Como você não tem uma armadura,  porque afinal não é São Jorge, resta-lhe apenas algumas opções:
a) Ficar olhando da janela esperando a banda passar;
b) Sentar embaixo de uma macieira, e esperar que uma maça caia em cima da sua cabeça e você descubra uma importante teoria que vá mudar o mundo;
c)  Sair nadando igual Michael Phelps e encarar os jacarés;
d) NRA

terça-feira, 2 de outubro de 2012



Pinto os olhos.
Pinto a boca.
Pinto as unhas.
Pinto a face.
Pinto o cabelo.
 Pinto o sete.

sábado, 29 de setembro de 2012

Miscelânias de uma Mente Dormente



O que é importante pra mim, pode não ser importante pra você.

Na dúvida, dance.

Tá com falta do que escrever? Tome um sundae.

Arrume-se com o que tem. Cada um possui o que correu atrás pra buscar.


terça-feira, 25 de setembro de 2012

Ontem fui comprar um notebook com D. Nelly, senhora minha mãe.
O meu caiu no chão e a tela espatifou em mil pedaços e agora parece um desenho pós moderno, desses que  a gente não entende nada, mas  acha bonito.
Estava lá pensando se comprava  o computador à vista ou em 10 vezes sem juros, quando a vendedora interrompe meus cálculos e me    diz que  estava reparando nas minhas pernas.
- Como?
- Desde que você entrou na loja,  estou reparando em  suas pernas. São bonitas, tprneadas  e tão lisinhas... Desculpe perguntar quantos anos você tem?
- -45.
- Nossa! dava 33.
-Se mata na academia?
-Nem morta!
- Poxa vc é muito bonita! Quem dera eu tivesse umas pernas assim...
Sorrio de uma orelha a outra,  Preciso de um pouco de elogio. Vindo de outra mulher, é melhor ainda.Encolho a barriga discretamente para não decepcionar a minha fã. Afinal isso são pequenos detalhes.
- É genético. Minha mãe aqui  tem 85. veja só esta  carinha mais linda do mundo.
D. Nelly se mete na conversa.
- Você  me desculpa falar, mas as minhas pernas, são mais bonitas do que a dela. Olha só.
E levanta as saias até o meio das coxas. A vendedora arregala os olhos. E passa a mão nas coxas lisas e duras de minha mãe.
-Uau!
- Um dia desses me médico me falou:_ Meu deus mas a senhora tem a perna muito durinha, sem uma varizes..nem celulites...
 E ela respondeu.
- Ai ai ai doutor,...  pode ir tirando os olhos das minhas pernas.

Definitivamente, Eu tenho a quem puxar. É Genético.
Frida, Frida...
Me ensina a ser como você?

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Outra Cama

Este curta foi  produzido e filmado pelo meu sobrinho Pedro Lima.  Estou corujando mesmo;
Eles  são jovens.
E tem sonhos.
e nessa epoca da vida, os sonhos são lindos.
E todos possíveis.

Na busca do meu estilo de escrita, vou sovejando por entre os ossos.
Hoje, nada de teias nem atalhos.
nem navios à deriva, nem poemas mórbidos. Todos já foram escritos. Resta-me o riso.
Hoje, nada de lágrimas que ninguem vê e nem de promessas que custam a se refazer
Hoje, nada  de vazios e lamparinas milagrosas.
Hoje, apenas a vida, como ela deve ser.
A grande navalhada já estava gangrenado, apenas meus olhos custaram a perceber.
Depois que a gente faz 45 anos, começa a perceber que a vida está  apenas começando, que a gente já  fez um monte de burrada, e que está na maior cilada acreditando que o que nunca deu certo, de uma hora pra outra vai dar.
 Peraí.
Não sou mais uma garotinha esperando o onibus pra escola, sozinha.
Sou uma mulher de 45 anos e devia ter a cabeça no lugar.
E tenho.
Quer dize, só as vezes, preferencialmente em público.
Fora disso, sou eu mesma, um ser sem idade.  Meu interior é o mesmo menino de sempre.Não me meço pelos anos que carrego na certidão de nascimento.
Me encolho e  ainda sonho uns sonhos de menina moça. Alias, isso vem me enervando ultimamente;
 Eu nuncat fui cheagada a sonhos de menina moça, e  agora,  fico tendo esses sonhos, igual obsessão... acho que estou sendo possuida igual naqueles filmes  em que é preciso chamar o padre para fazer um exorcismo.

As vezes, sinto falta de viver perigosamente. Viver perigosamente quer dizer fazer exatamente  aquilo que se quer fazer, sem prestar contas pra ninguém.
 Tenho 45 anos, mas estou travada.
Não que isso me deixe envergonhada. Quem é o(a) sortudo (a)que pode realmente   fazer aquilo que quer irresponsavelmente? sem pensar no amanha? nas consequências? nos filhos? no trabalho? na conta de luz no final do mes para pagar? no raio do empréstimo consignado  feito  pra poder viajar no final do ano?Quem  nessa vida consegue esquecer da cara do gerente do banco?
Eu deveria saber  aos 45 anos.
Deveria estar pensando  em coisas mais concretas, fazendo coisas mais concretas, investindo em mim... focando na carreira..querendo colocar prótese de silicone, fazendo dieta pra caber no manequim 36 e fingindo que ainda sou  uma jovem na academia.
 Mas é como se uma baleia enorme tivesse me devorado e eu calmamente  me acostumasse a escuridão. As vezes choro. Quero minha mãe.
 Adoro minha escuridão interna. Adoro meus dias úmidos, meu eterno estado de poesia.
Vejo a vida como a via antes de completar os tais dos enta.
Dia desses Naninha, minha amiga ha mais de vinte anos. ( eu sei é horrivel dizer issso, sim, mas eu tinha apenas dezoito anos,  quando a conheci, portanto é uma velha amiga.) me disse:- Cara, você era a mais moderninha de nós todas, ( nós todas: eu  e mais duas amigas) e agora?  e agora maria de fatima? ( é assim que ela me chama ha mais de 20 anos) Qual é a sua cara?
Humm... eu moderninha? só porque gostava do Legião Urbana? bebia todas? fumava uns? beijava todas as bocas que queria e me divertia com quem me agradasse? era morderninha porque fiquei gravida e não quis casar? era moderninha porque acampava e ficava dias fora de casa com meu indefectivel podrão  da Topper e meu shortinho da wangler comprado na Ce A?
Era moderninha porque não  sonhava filhos, nem familia e  vivia cada dia de uma vez?
ou será que eu era moderninha porque a vida  não me espantava e eu tomava gim e vodka ou invés de cuba libre?



domingo, 16 de setembro de 2012

Estou às avessas.
De uma hora pra outra saí de um inverno interno rigoroso e sombrio e dei de escrever...
Foi a melhor coisa que fiz nos últimos cinco anos, já que as postagens no blog tem sido meramente burocráticas, já que não conseguia pensar em nada, além de viver um dia após o outro, reclamando da vida.
Tudo estava sem sentindo e de repente as manhãs ensolaradas.... Dei de escrever.
E juntamente com a vontade de matar essa fome, uma outra coisa aconteceu: Dei de  ler absurdamente.
 Não me critiquem. Sempre li muito. Cinco livros por vez. De manhã, de tarde, de noite e  nas altas madrugadas.
Depois a coisa foi dimiunindo a olhos vistos, já que uma catarata consumia my eyes.
Operei a catarata tem 20 dias. Isso me animou. Mesmo que de um lado  o mundo seja vivo  fuorescente,  e do outro lado,  amarelo pastel embassado.
O médico recomendou outra operação  daqui a 15  dias. Reviver o olho direito..
Fico pensando o que vai acontecer comigo.
Me irradio de alegria.
Se  vendo pela metade, estou tão disposta a escrever, errar,  a me enverhonhar dos meus escritos publicamente, quem dirá o que pode me acontecer, quando o mundo finalmente se tornar fluorescente por inteiro?
Minha alma voa acima do  meu corpo, e me vejo no meu canto, digitando como louca, escrevendo nos meus cadernos. Feliz,  igual criança quando pede um doce, e a mãe sorridente diz sim, compra o doce e ainda come junto.  
Resolvi arrumar os livros na  estante e decidi que fazê-los ia conversar entre si, sem obedecer a tamanhos, ordem ou gêneros.

Oswald de Andrade do lado de Jean Genet, Rachel de Queiroz em prosa com Jane Austen, Lya Luft do ladindo de Menalton Braff; Clarice sozinha com os seus. João Guimarães Rosa brigou e quis ficar perto de Gabriela. Compreensível.
Focault renunciou a estante principal e preferiu ir para o exílio do armário do quarto. Manuel Bandeira preferiu Haroldo de Oliveira. Apenas diferente.  Millôr se aconchegou com Saramago, e Cecilia depois dos  rodopios virou passarinho com Manoel de Barros.
Marina Colassanti se desdobra entre João Cabral de Melo Neto e Érico Verissimo.
Nelida Piñon atormentada por Goethe enquanto João  Américo de Almeida reina absoluto na sua tríade, minha forma geométrica preferida.
Mario Quintana quietinho.Do seu lado, o espevitado Darcy Ribeitro.
Muniz Sodré no meio do caminho de Drummond, Machado fez questão de dormitar ao lado de Florestan Fernandes enquanto Paulo Freire não resistiu aos encantos de Lygia Bojunga.
Não que eu tenha programado nada.
A coisa simplesmente aconteceu
 Estou  curiossima pra ver  que bicho vai dar esse coloquio interessante.