sábado, 15 de setembro de 2012

  Dia desses, estava eu, em mais uma crise de identidade.
Normal.
Desde que me conheço por gente, que vivo crises assim: intensas, desfigurativas,complexas e que nunca chegam  a lugar nenhum.
Por uma artimanha do destino, cruzei com um amigo  no skype.
Ele é um artista,  é ilustrador, sensível... aprendeu a  decifrar  as palavras que o autor expressa, através das linhas do desenho..
E comecei meu blalablabla...
"Eu não consigo escrever... não tenho rotina, as palavras  fogem de mim, estou tão down,,, tive diarios a vida toda, escrevi a vida toda, mas na verdade acho que não tenho nada a dizer e  blablablablabla...".
Cansativo.
Coitado do ouvido desse meu amigo.
Se fosse eu, não pensaria duas vezes: me excluiria do skype para sempre, nessa e na outra encarnação.
Mas ele é um doce. É um artista. Nunca faria isso.
Entende a aflição. A costura e o bordado.
E me disse. -Fica calma e acha o seu estilo de escrita
-Ai meu deus.... estilo de escrita?
-Esse estilo ja existe.Procure em todos os seus textos o que se repete, procure.  Quando achar  comece a utilizar mais...
-Ahã... ok.

Agora estou  com medo de procurar.

 E a crise continua.  Intensa. Desfigarativa. Complexa. 

quarta-feira, 12 de setembro de 2012



O mar de nós mesmos,  revolto, sem calmaria, nos traz  garrafas abertas e pedaços de barcos despedaçados, nos deixa a revelia das coisas e lugares,  náufragos seguimos sem norte....quem sabe até encontrar uma ilha perdida no meio de coisa nenhuma... 
 O mal de nós mesmos,  é aquele que negamos, mas que que habita em nós...  cegos,  damos voltas e mais voltas nos atalhos para dizer que  o mal está sempre o outro...Mas quanto mais negamos o mal em nós, mais ele se fortalece...
E a  mediocridade de nós mesmos? a escondemos nas gavetas e deixamos emborolar, para que ela esqueça  de se manifestar, enquanto atônitos, levamos o cachorro pra passear...
E essa vontade de roer a corda e sair do mundo? O que é afinal?
 Vontade de não estar,  de não ser,  de se perder e  nunca mais voltar  para o lugar que  é nossa prisão...

  Mas e se durante a volta  não tiver nada além das violetas na janela? Encafifadas.Morrendo  de febre neste calor de 40 e poucos graus?

segunda-feira, 10 de setembro de 2012


Ser feliz ou ter uma vida interessante?


Essa indagação nasceu  de um texto que li da Martha Medeiros ha muito tempo, sobre a citação do psicanalista Contardo Calligaris que comentou que ser feliz não é tão importante, que mais vale viver uma vida interessante.
Se isso me fosse dito quando esperava que o sol nascesse todas as manhãs do mesmo jeito, com a  minha intrasigência habitual, maturada pela imaturidade, mandaria esse psicanalista ir colher chuchus, como nos versos de Adélia.
Mas agora me vejo tão pertencida desse pensamento.
Não precisar da felicidade, necessariamente para ser feliz, é de uma libertação que ainda me choca, mas é uma atitude que venho cultivando a cada dia que passa, com a força de tratores.
Quando acreditamos que um dia de chuva pode acabar com a nossa felicidade, ou um vestido que tem o fio puxado, ou o cara que você ama não é exatamente aquilo que você sonha de um homem perfeito, estamos fadados a eterna insatisfação.
Não que tenhamos que os contentar com o pouco, com o mínimo, mas é preciso extrair da vida o que ela te oferece.
Ter uma vida interessante parece sim a vida perfeita.
 Mas somente agora posso dizer isso.
 Passada a aflição da metáfora, posso me entregar a antítese sem medos.
Posso parir o desconhecido,  enfrentar velhos  desafios,
me entregar às ambições mais pequenas como ler um livro sem ser incomodada, isso sim felicidade suprema.
Coisas pequenas nos fazem tão bem, pena que não nos damos conta disso.
Eu tive que aprender no sufoco a dar a valor as  pequnas  coisas sem almejar as metas tradicionais, ao que supostamente estava escrito.
E só me dei conta disso, quando saí do poço e vi que a cada dia eu recomeçava do zero.
Cada dia era um dia diferente e que eu estava disposta a tudo.
Realmente dá trabalho viver.
Mas é tão bom.  

sexta-feira, 3 de agosto de 2012



O amargo gosto do retrocesso na boca, me faz pensar.
Não vou me atirar na ponte mais próxima.
nem vou me jogar a seus pés.
intacta, permanecerei.
Persistindo nesse absurdo.?
Eu não sou flor. Nem cultivo espinhos.
Apenas me deito e sonho.
As palavras custam a vir, enraizadas na falta de costume.
Preciso aprender a escrever o que me passa.
preciso aprender a ler o que me convém.
E quando todo o resto parecer morto
aprender a aceitar o que os meus olhos insistem em mostrar...

terça-feira, 24 de julho de 2012




Assim te espero todas as noites.
Noiva.
Dispo-me sem muita liturgia, e entrego-me sem dó nem piedade nesta espiral de nós dois...
Falamos pouco... Não há muito a ser dito.
Pouco de nós está presente.
Nos comunicando de um jeito que ninguém sabe, nem nunca saberá. Pois este é um orô das deusas, um dos mistérios da infinita pajelança...
Estamos ali, e o mundo ao nosso redor não tem dono, nem lugar para nós dois.
Mas o que há?Diga-me devagar, que é para eu não me assustar...
Há um silêncio que é nosso.
Uma intimidade fingida, que não ousamos admitir...
Negamos nossa maturidade
ela nos expõe ao ridículo;
E não queremos isso.
Todos nossos amigos a nos julgar.
 O que realmente importa, ninguém nunca vai saber:  te espero todas as noites
noiva.
E cúmplices, vamos seguindo
ambos, sem direção.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Meia noite em Paris. Wood Allen.
Para mim, já valia o filme todo, o belo presente que o cineasta nos oferece, com a Paris vista pelos olhos de uma pessoa sensivel à cidade...
Paris linda chovendo, as vielas de ruas centenárias, os jardins, as bancas de jornal, a torre effeil vista de lado, de um canto qualquer,ou com o metrô passando bem na sua frente.
E ao mesmo tempo, Gal Costa cantando "Sua Estupidez" do Roberto é arrebatador!!!!!
Não sei se estou conseguindo fazer tudo o que plenejei nessas férias, mas o que acontece de repente é tão bom... E não quero sentir culpa de nada.




terça-feira, 17 de julho de 2012

zebra


Africana, livre, faceira, a zebra é um animal que vive em família, e tem, como predador natural, o leão.

Porém, as zebras, aprenderam rapidamente que o pior predador que existe é aquele que olha para uma zebra e pensa: Nossa daria um lindo sapato ou uma linda bolsa!!!

segunda-feira, 16 de julho de 2012





Estou numa fase que não me permito nenhuma impenetrabilidade...
Principalmente de pessoas.
Há pessoas que são mundos impenetráveis, e você fica seriamente tentado a pensar se ali existe um universo particular.
Certamente que si... mas nessa fase da vida, mistérios bons são os desvendáveis... não quero ter trabalho para descobrir ir o que não se mostra, o que é oculto, e tão profundamente indolor às querelas e procuras...
Quero tudo a minha disposição, os quereres, os prazeres,as tranqueiras e outras mixarias...
Minha mãe diz que tô ficando velha.
Eu acho que simplesmente estou aprendendo a viver a vida.

sobre facebook




Tinha algum tempo que eu não entrava no face book.
Não sei bem se a ferramenta não me agrada mais, ou se estar lar é uma perda de tempo para mim.
Perde-se um tempo ali...As vezes, inimaginável...
Agora estou numa fase “Estou preocupada em viver minha vida.”
Quero ler meus filhos, estar com meus livros...
Navegar no facebook é como estar num mundo  a parte, tão ilusório e irreal que até as amizades que são verdadeira  e leais, ali parecem anormais...
Mas isto é para mim, É que sinto. Não me espanto. Nada tudo sempre pode ser igual ao que era antes ou ao que nunca foi...
Notaram que agora todo mundo adiciona local da postagem: hotel, teatro, bares,  restaurantes, próximo a Belenzinho, 72h para embarcar para Veneza...
Eu sou mais simples:  Planeta Quero Minhas férias!  Planeta Hilda Hirst, Planeta estou vendo Discovery com meus filhos...

Moral desta History, que não vai chegar a lugar nenhum: Tudo  é dialética! 

Primeiro dia de férias.
Não sei ainda o que faço tão tantos espaços vazios. Mas os planos precisam ser muito bem organizados, porque senão não dá tempo de quase nada.
Primeiro: curtir os filhos e poder estar com eles: almoçando, vendo discovery juntos, brincar pelo controle, pipoca, canjica, cinema e uma livraria no meio da tarde.
Depois os médicos, oftamologistas,ginecologistas e pode até ser que role um cardiologista.
Finalmente chego às leituras. Tantas e atrasadas: filosofia, ambiente, educação, um romance aqui, revistas ali, o ultimo do Muniz Sodré.

A poesia entra no projeto noturno "poesias interativas" onde são lidas poesias eróticas de todos os tempos. Um projeto alternativo muito diferente, mas o sarau é apenas pra 2.

E ademais... Escrever... escrever... escrever... Coisa que não me dedico ha algum tempo.

Preciso atualizar os blogs,escrever um artigos sobre a poética entre Cecília Meireles e Roseana Muray, preciso acordar os textos infantis que estão dormindo,revisar pela 355º vez meu livro de poesias...
Não escrever para um escritor é como estar num planeta sufocado por gases tóxicos...
Preciso sentir de novo o peso da pena, e estou voltando para casa depois de um longo e lexotanico tempo.
Assim sigo. Sem saber se volto ou não das férias.

quinta-feira, 5 de julho de 2012


Quem pode me explicar porque os buracos negros só  sabem sugar?Eles nunca vomitam nada, e mesmo assim, engolem tudo sem distinção...
 E essa coisa toda tão  bem explicadinha? e essa coisa tão correta e chata? Pormenores indiziveis...
Tudo  é tão  simples... tudo é  tão complexo...
Até os atalhos estão cheios de regras tão certinhas
Pensarcomotodomundopensarcomotodomundopensarcomo todomundo
besteiras burguesas de um mundo comum
fetiches,sonos mal dormidos, amigos cibernéticos e amores na tela do computador
E todos vão seguindo a mesma  trilha, sem gilete. 
Pela metade, seguindo até um ponto de referência.
Esquerda? direita?
Ao norte, ensina a bússola.

Esquecer o que se quer. Mas o que realmente se quer?
os quereres pares.
Desfazeres impares.
Vontade de chorar no meio do dia.
As certezas inacabadas vão fazendo fila todo dia e essa incompletude que não alimenta tudo?Será  que no final, isso vai levar a algum lugar?
Não escolho os caminhos. Eles mesmo se escolhem.
 Caminhos são modernos. Sustentáveis. Autogestionados.
E essa vontade de andar descalça no meio da noite?
Me diz o que faço com essa amplitude que me queima os olhos?
A memória entranha pelos ossos e  vai adentrando  toda a carne.

A lembrança dos risos dos filhos alimenta as paredes da casa. Silenciosos permanecem os móveis, atentos, os livros.
As buganvílias brancas e os jasmins  já não existem mais.
Mesmo assim, as formigas continuam  carregando suas folhas no quintal...