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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

As águas vão rolar...

Ontem assisti aos desfiles das Escolas de Samba.

Isto é, assisti São Clemente, Porto da Pedra, meu Salgueiro e depos dormi e acordei pra poder ver a Viradouro.

Bem vou fazer somente alguns comentários, pos está chovendo e vou vasculhar algum filme antigo na tv.

O enredo da São Clemente exaltando a figura de D. João e a vinda da familia Real Portuguesa, chegou a me irritar num ponto do desfile.
Porque exaltar um rei fujão, que abandonou seu povo com uma ameaça de invasão nas costas? Que ele morresse com seu povo, ora pá, e não que viesse para cá comer 620 frangos por dia.
Isso sim seria digno de entrar para a história.

Outra coisa terrível, foi os comentaristas da Golobo exaltando os feitos de D. João.

Ora, todos os grandes feitos foram o próprio bel prazer, deleite e comodidade da corte. Não vamos nos enganar. Foi preciso montar aqui um palco digno para a residência oficial da corte. E foi montado: teatro, jardim botânico, banco, foi aberto os portos às nações amigas, até então proibido por Portugal.

Não me lembro de ler em nenhum lugar que o povo brasileiro tinha acesso a todos esses lugares. Aliás, como não tem até hoje.

Portanto, não vejo motivo algum para exaltar a vinda dos nossos colonizadores como heróis sendo que na verdade, na primeira oportunidade que tiveram, voltaram correndo para a Europa, deixando aqui seu legado: um filho mulherengo, miséria, escravidão, pobreza, ostracismo ...

Fiquei só pensando que nos países latinos de fala esponhola, exaltar o colonizador desta maneira seria impensável.

Outro comentário que quero fazer é sobre o desfile da Viradouro.

O desfile em si foi bonito e muito animado.Mas eu estava mais interessada era no carro proibido pela Liga Israelita do Rio de Janeioro.
A liga proibiu que se mostrasse um carro alegórico com os mortos no holocausto e figura de Hitker sambando sobre elas.

Eu não tinha uma opinião formada sobre isso. Sempre acho que as religiões não devem se meter na criatividade dos artistas.

Concordo que o holocausto é um dos mais terrriveis episódios da história, mas não é o único.

Odeio todo tipo de vitimização.

Milhares de jovens, homens, crianças, velhos, são massacrados todos os dias na Palestina, num verdadeiro extermínio desde que eu era criança. Todo mundo parece achar normal que eles morram, afinal invadiram uma terra que não era sua(!?)
Milhares morrem no Iraque todos os dias.
A cada três segundos uma criança morre de fome no mundo.

Na Etiópia, os africanos morrem de aids em massa.

Existem muitas tragédias. A história é feita de tragédias.

Agora, os comentários que eu li do Reanato Galeno na imprensa foi de machucar.

" Alguns poderiam dizer que, caso o carro falasse do drama da escravidão, não haveria reação. É válido, mas parte de uma premissa falsa. Sou um dos que defende não só a ação afirmativa, mas até a reparação financeira dos descendentes de escravos.Mas há duas diferenças _ que ultrapassam o distanciamento histórico, pois há milhares de sobreviventes dos campos de extermínio e seus filhos vivos."

" Não há , na barbárie da escravidão,um símbolo do mal como Hilter."

( O Globo, 02/02/2008)

Eu até compreendo que não há nenhum sobrevivente da escravidão.Mas há os herdeiros da escravidão.
Tenho pouca melamina, posso ser considerada branca, mas sou bisneta de Isidora, negra escrava, africana, que fez a travessia atlântica. Sou descendente da diáspora africana, sou bisneta da escravidão. Minha bisavó foi estrupada, matratada. Escrava.
E eu sofro muito com isso. Sofro pela tragédia da escravidão, que deixou suas mazelas até hoje para o povo negro: a pobreza, a fome,o desemprego, o analfabetismo funcional, o preconceito, o racismo...

Não há sobreviventes vivos, ele diz, tudo bem. Mas e todo o povo brasileiro nasceu da casca do ovo?

Não vou nem comentar mais nada porque senão minha pressão sobe, e como todos sabem, estou em tratamento.
Mas pimenta nos olhos dos outros é refresco né?

Ah! esse ano, em 13 de maio fazem 120 anos que a Princesa Isabel assinou a Lei Aúrea.

Aguardemos as" comemorações oficiais" neste pais sem história e sem antepassados.