terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Então, vamos combinar.
Água pura, rio cristalino passando atrás da casa,
Um cigarro à meia noite, algumas cervejas claras e geladas, sempre a mais.
Vamos combinar um banho de rio, una risada larga, um beijo frouxo, roubado.
Andar de bicicleta, vamos combinar um banho de mar secreto, um doce quebra queixo, uma vontade danada de usar chapéu...
Vamos combinar Maringá-Rio-Manringá, ou um um abraço perfeito sob um luar.
Vamos combinar uma fuga, no meiode todo mundo, os nossos olhos,sozinhos, fugindo de  tudo...
Seria bom, combinar pra não esquecer.
Essa vida besta vai pulverizando as coisas.
Aos poucos, aos goles.
E vamos engolindo sem sentir.
Como se estivessemos com o organismo cheio de morfina.
E alheios, nos viciamos em estar sem estar, em ser sem ser.
Em nunca se comprometer.

Ontem vi um passarinho, e senti uma inveja danada. Que coisa boa poder voar...
Será que passarinho cansa?

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009


Gaelle Boysonard


Tem pessoas que vivem para viver a vida dos outros.

Talvez porque as suas  vidas sejam tão insignificantes, tão sem significados que viver a vida dos outros seja a única coisa realmente interessante que tenha para se fazer das próprias vidas.

Eu não entendo bem isso, já que viver minha própria vida me cansa demasiado.

Fazer minhas escolhas.
Tecer minhas vontades.
extrapalor minhas alegrias.
esconder minhas tristezas montanhosas, minhas pequenas miudezas, meu medos indefesos, meus egoísmos dissimulados,são ações que  tomam todas minhas horas.
Tenho tanto o que pensar em mim, nos meus, na minha vida, na minha palavra,que sequer me sobra tempo para mim mesma.

Para cuidar de minha alma, não fundir a minha cuca, me olhar numa outra perspectiva, apreciar a flor de um jardim, ler um livro, ir numa exposição de arte...

E mesmo se eu tivesse todo  tempo do mundo, taí uma coisa que eu não me ocuparia: da vida dos outros.

Muito me assusta e ao  mesmo tempo preocupa, as pessoas, que tendo uma vida toda para
 viver, deixam as suas atividades pessoais e profissionais de lado, seus amores, seus sonhos, enfim sua vida para cuidar da vida do outro, infernizar o outro, maltratar o outro, trazer sofrimento para o outro...

Tenho o péssimo hábito de cuidar de mim mesma.
Por isso não me considero nem um pouco homofóbica, preconceituosa, antisemita,nem nenhum tipo que passe o tempo julgando  os outros.

Não tenho tempo pra isso.


A minha vida basta por si só.  

   

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009


Maggie Taylor

Como um autômato ela vai  vivendo esses dias.
rascunhando projetos que nem  sabe um dia vão nascer.
Um silencio sepulcral vai dividindo espaço com as pequenas alegrias do dia a dia.
As buganvilias vão resistindo. O jasmim também.
São tantos os livros da cabeceira que ela não sabe qual deles começa a ler primeiro.
Talvez nenhum.
Talvez nenhuma palavra nesse momento possa decifrar os mistérios que zanzam por sua alma.
Tudo tão cheio de incompletude, que cansa.
Tudo  é tão cheio de principios e arrotos de maniqueismos que ela precipita pela janela ao encontro do vão.
Hoje ela ouviu no noticiário que uma atriz morreu.Talvez tenha sido overdose de vida.
desejo da morte.
Isso quando bate, não tem volta.
Por isso ela entende os suicidas.

A vida é tão cheia de uivos e suspiros, é tão intensa, que fechar os olhos para sempre, para algumas pessoas, é a unica porta de saída.

Descontando o acaso do dia, ela  não resistiu ao impulso e fumou o primeiro cigarro do dia.

Lentamente se deixou levar, e quando viu, estava sentanda  no banco da praça, vendo  as muitas babás pretas com seus patrozinhos brancos.


Uma folha da àrvore caiu bem perto do seu pé.
Ela pode ver os detalhes perfeitos das nervuras, quase um desenho.
No seu intimo, sorriu.
quase feliz.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

flavia vivendo em coma...

A Odele Souza, mãe da Flavia, que vive em coma há dozes anos,por ter seus cabelos sugados pelo sistema de sucção da piscina onde morava, apela a todos e a todas  para que possam assinar uma petição on line que, solicita a  criação de uma lei federal para a segurança nas piscinas.

Até hoje, os principais responsáveis pela tragédia que essa familia vive não foram julgados.

Vocês podem imaginar uma menina de 11 anos entrando na piscina do seu prédio para se divertir com seus amiguinhos e sair dela para a cama de um hospital onde vive em coma irreversível desde então?

Se consegue imaginar, então, assine a petição e se solidarize com Odele, Flavia e vamos lutar com elas nessa batalha  incansável por JUSTIÇA



Conheça a história de Flavia e assine a petição http://flaviavivendoemcoma.blogspot.com

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

ditados pessoais



Todos os caminhos levam pra algum lugar.
Esperar muito de coisas e de pessoas, às vezes pode ser decepcionante...
céu vermelho, tempestade...
se não tem cão, não arrume um gato...
nem tudo que reluz é vela de apagão.
Antes mal acompanhado que só.

Tome chopps, coma bruschetta. Surte.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Um parênteses  pré -post "Minha ira é intensa...."

Que calor está fazendo nesta cidade.Mas taí.
Meu Rio é meu Rio, e que lindo vê-lo de cima  e de baixo.
Cidade maravilhosa com todos os altos e baixos.

Outras miudezas:

Se tenho amor tenho tudo na vida.
Posso dormir tranquila embalada nos teus braços.
Se tenho amor estou protegida
e não me preciso me esconder do destino.

sábado, 21 de novembro de 2009

bahia de todos os santos e santas...

o primeiro dia na Bahia teve cheiro de dendê e a surpresa do horário de Salvador, ou seja, aqui não tem horário de verão.
Beleza total e um acarajé na Mariquita.
O barulho do amr sonando e todas as vontades pulsando...
Quase feliz.
Segundo dia.
Nervoso.
Trânsito intenso na cidade.
Dia normal por aqui. E o incrível:Em Salvador não tem feriado da consciência negra.
Lula no Pelô.
Baiana de todos os tipos e gentes interessantes e outras nem tanto.
Nunca deixem colocar uma fitinha do Bonfim no seu braço.Que coisa louca!
No museu de Jorge Amado, pude ver a força da palavra e o que ela pode fazer de um homem.
Elevador Lacerda:15 centavos e tudo limpinho que dá gosto.
A arquitetura é linda, mas enquanto você olha pra cima, alguma coisa pode  estar acontecendo no andar de  baixo sem que voce perceba...
O que o tabuleiro da baiana tem? Vixe tanta coisa...
Hoje fomos na praia do farol,lá  é bonito e diferente da orla do Rio.
Posso falar a verdade?
Não troco o Rio por nada desse mundo.
Nosso cidade  é que tem dendê.É alegre, bonita e bem humorada.
A abordagem dos ambulantes daqui é quase agressiva, mal educada, insolente.
Não gostei.
Gostei foi da moqueca de peixe do restaurante Portal do Mar. Delicia dos deuses.
Andamos estes dias todos de onibus.
 Nada demais, além de super econômico, as ruas são organizadas e as estradas muito bem cuidadas.
Agora a  noitinha vou comer mais comida baiana no Yemanjá, já que o dia de hoje foi todinho dedicado à ela, com direito a banho de  descarrego e risos.
Minha linda sereia,   
Não esquece meu pedido não.
Eu vou, mas meu pedido vai ecoando desde a nossa última conversa em Trindade.
Continuo esperando por milagres.

No mar tem sereia, tem sim. Eu vi.   

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

nelson hoffman

Estive  lendo uma entrevista muio boa do escritor Nelson Hoffman, autor gaúcho  que   eu não conhecia  até ter acesso a essa entrevista.
Não tenho vergonha de dizer que eu não o conhecia, o mundo é grande e temos muitas estradas a percorrer, mas ainda bem que fiquei conhecendo-o e  devo dizer que gostei muito da sua personalidade roceira e tímida.

Nelson é poeta e romancista renomado, o que aumentou minha angústia por não conhecê-lo, confesso.

Na entrevista, ele diz esta frase, e olhem  que verdade mais aterradora:

"escrever é que nem nadar: ou se aprende na marra, ou não se aprende nunca. "

Querem conhecer um pouquinho de Nelson Hoffman por ele mesmo?Dêem uma olhada na entrevista completa na Revista Virtual Palavra Fiandeira: http://aeilijpaulista.blogspot.com/2009/10/palavra-fiandeira-n-3.html 

terça-feira, 17 de novembro de 2009

sobre a reverência do obama




Fiquei chocada a ler no jornal que os americanos estão enraivecidos com Obama porque ele fez uma reverência ao imperador japonês.

A cena não me choca em nada. Vejo apenas um presidente saudando um imperador.

Simples assim. 

Não sei porque tamanho bafafá, estão politizando um gesto protocolar.

Bill Bennett um comentarista conservador da CNN, teve o disparte de dizer:" Não reverenciamos reis ou imperadores'.
Que prepotência meu deus!
Quem essas pessoas pensam que são, só porque fazem parte de uma nacionalidade?

Os que reclamam acreditam que a imagem que o presidente passa para o exterior é de fraqueza, quando na verdade, penso que é  justamente ao contrário.

O que sentimos é que o presidente Obama além de (lindo) inteligente,altmante diplomático é  um homem  respeitoso e  que segue os procedimentos protocolares de um homem na sua posição.

Cada vez mais eu acredito que os Estados Unidos não estão preparados para um presidente como  Obama.


Mas o  resto do mundo espero que esteja.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A espera da noite é impaciente.
A televisão canta uma musica que me irrita os ouvidos.
Palavras, palavras soltas por torda parte, mas nenhuma me fala  aquilo que realmente quero ouvir.
E a antiga profecia de criança, ronda o jardim assustando as flores
e o mormaço dessa tarde?
Foi aterrador.
Agir ou simplesmesnte esperar?
Esse foi o martírio de Penélope.
e o meu.

Por onde andará Odisseu?

Com a vida por um fio.

como clarice. ou não.



(imagem maggie taylor)

Assim como Clarice Lispector também me sinto impulsiva.
aliás sou muito impulsiva,  talvez até demais.
Mas somente quando as coisas me sufocam de maneira exagerada.
Quando a água transborda do copo e as pessoas ao redor insistem em continuar enchendo-o como se nada estivesse acontecendo.
Sim, é exatamente assim que funciona. Ajo impulsivamente quando estou a sabor das intempéries do outro.
Sou impulsiva para fugir do outro.
Sou impulsiva para caçar minha liberdade.
Odeio gaiolas  que me impõem.
Porque já luto muito contra as gaiolas autoimpostas.
Fora isso sou calma, quase patética na minha insegurança.
Me finjo adulta algumas vezes porque é necessário. Mas ultimamente, tenho notado que esse fingimento está me levando a uma atuação forçada por tempo demais.
Estou adulta demais. Ciente demais das responsabilidades da vida.
Adulta com meus filhos.
Adulta para ver um filme de amor.
Adulta pra beber  e não me embriagar.
Adulta pra não fumar o que gosto
Adulta pra comer feijão com arroz.
Adulta pra fuder.

Enfim, estou sendo adulta demais, sem necessidade nenhuma.

domingo, 15 de novembro de 2009

De óculos novos, vejo a vida em trapézio.
Não posso ler jornal, nem o blog do Bruno Mazzeo, minha nova obsessão.
Vida vazando, tudo dessarrumado nessa casa, colchão no chão da Ju  pra economizar o ar condicionado.
A vida rumando e eu sem saídas, louca pra ter respostas, respostas que  nem sei as perguntas, mas não me importa.
Vivo de angústia.
Essa pergunta eterna, que  me ronda, que me ronda, que me ronda...
Eternamente a mesma pergunta que em ataca durante as noites. Velando as penas das almas imortais.
E essa vontade de escrever?De onde vem isso?
Me corrói.