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domingo, 15 de abril de 2007

A primeira vez que vi a obra de Franz Krajcberg foi em Curitiba em 2005.
Nem preciso falar do meu encantamento ao ver aqueles monumentos dos troncos queimados e retorcidos que formavam uma verdadeira ode de amor à natureza, a vida, ao ser humano.
A obra de Krajcberg me fez tão bem , alimentou tanto minha alma que sai dali e fiz uma poesia. O que mais me encantou é que a exposição ficava no Jardim Botânico de Curitiba que por si só já uma maravilha, e os troncos queimados ( matéria prima de sua obra) eram visitados por milhares de passarinhos que iam e vinham, em seus ninhos.
Aquilo me encantou e me marcou.
Senti minha pequenez de ser humano diante da dignidade daquelas árvores que mesmo mortas eram receptáculos de vida. Belíssima imagem!
Então, essa semana sai na coluna do Joaquim Ferreira dos Santos do Globo, que Krajcberg "adotou" uma ossada de baleia de baleia jubarte de 11 anos encontrada no litora da bahia onde o artista mora. Ele vai pedir permissão do IBAMA para a ossada da baleia permanecer no seu museu, apaenas com o intuito de "Salvá-la".
Essa é uma atitude tão bela, que me levou às lagrimas.
Como Krajcberg é intenso! Como artista ele vê além da vida e da morte. É a essência que é a sua procura.
Enquanto isso, na mesma reportagem coisas do arco da velha do nosso velho Brasil brasileiro.
O governo da Bahia mandou construir um museu Rodin que custou milhões de reais onde ficará exposta as réplicas de algumas obra do artistas francês, alugadas por três anos.
O museu com a obra de Krajcberg, polonês de 86 anos radicado no Brasil a 50 anos sendo 40 deles dedicados a cidade de nova Viçosa na Bahia, está sem terminar por falta de recursos.
O proprio Krajcberg, ativista do meio ambiente reflorestou a área em que mora , uma pequena reserva de Mata Atlântica com mais de dez mil mudas de pau- brasil.
Mas como pedir investimentos em cultura, se o governo não tá nem aí com esse povo sem emprego, crianças nas ruas, idosos vendendo balas.
Com tantas coisas revoltantes, só me resta lembrar do canto do passarinho naquela manhã de domingo e pedir ao governo da Bahia que invista na construção e manuntenção da obra desse artista que com sua obra nos faz lembrar que somos muitos pequenos diante da força e magia da natureza.