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quarta-feira, 18 de abril de 2007

Promover leituras do mundo externo e interno.

Acabei de ler a pouco um texto intitulado "Contar Histórias para Promover Leitura "das autoras Lucia Helena L. Santos Silva e Sueli Rocha no site Leia Brasil.
No geral, o texto ressalta de maneira afirmativa a impotância de contar histórias para as crianças dentro do contexto escolar para que elas cresçam adultos estimulados em sua inteligência, criatividade, etc.
Mas o que mexeu comigo e com minhas memórias foi a primeira parte do texto em que as autoras recontam um conto coreano.
É a história de um rapazinho que cresceu ouvindo histórias de seu criado. Só que o menino, egoísticamente, não recontava as histórias para ninguém. O menino cresceu e deixou de ouvir histórias, e sequer se lembrava mais delas, até que no dia de seu casamento, seu velho criado descobre atrás da porta, um saco.
Neste saco estava os espíritos de todas as histórias lidas para o menino, agora um homem.
Os espíritos queriam vingar-se daquele que os manteve presos por tanto tempo. No final, o criado heroicamente salva seu patrãozinho e este arrependido promete se transformar num contador de histórias.
E o texto continua, mas eu paro por aqui.
Este texto lido , me fez sentir saudades do meu vivido.
Que saudade danada me deu !
Queria voltar no tempo para contar histórias para meus filhos à noitinha, com mil vozes diferentes e com muitos fins alternativos com direito até a "Você devide o final". Os meninos adoravam esse desfecho!Principalamente dos clássicos:
Você Decide:
Ou o caçador salva chapeuzinho e Vovozinha
ou
O lobo as devora com salade de chuchu e beterraba , toma um sonrisal e vai tomar
banho de Cachoeira em Mauá?

Agora que eles cresceram , lêem sozinhos, não precisam mais de mim.
Até dois anos atrás, enquanto eu lia para minha princesinha, a Jú, eu ainda observava que os meninos ficavam atentos e estivesssem onde estivessem eles vinham até mim, guiados pelas minhas várias entonações de vozes e pela minha interpretação do texto.
Eles iam se chegando de fininho, e quando eu via, estavam os três na minha cama me olhando hipnotizados e num piscar de olhos, o chão do quarto ficava aborratado com uma pilha de livros para serem lidos numa fila de espera.
Hoje à noite vou procurar atrás da porta do meu quarto um saco de histórias perdidas e abandonadas, e vou fazer um teste.
Mas não quero o assombro de espiritos vingativos.
Só quero deitar com meus filhos mais uma vez, serena e calma, e ler a sagrada história na hora de dormir.