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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010




Hoje meio translúcida, no meio do nada descobri uma luz.
ela me revelava a misercórdia das coisas  ao mesmo tempo que me enganava nas coisas miúdas.
Eu adorei a nossa tarde  juntos com a chuva caindo e molhando além da folha das árvores tão verdes e das ácidas mordidas de formiga.
Adorei cada minuto e cada silêncio vertiginoso que rompia com o cair da tarde.
O brilho da água no meio do nada, a secura, a febre,  a pia pigando a água da fonte...
Adorei as obscuras linhas do céu, e além de tudo as montanhas, ao longe, mudas.
As revelações indo e vindo aos poucos, mas querendo brotar  aos borbotões.
Um canto ao longe, e os cascos do cavalo branco batendo no chão.
Pelo canto do olho o mundo se revela de outra forma:. quente, úmido, cheio de riso e encanto.
Eu adorei a nossa tarde.
e olha que nem gosto das tardes.
Prefiro as manhãs.
Sou a mulher que rompe com aurora, gosto do cheiro da vida ao amanhecer, tão cheia de silêncios incômodos. Gosto do cheiro de café rompendo as primeiras horas, e dos passos apressados do trabalhador indo para o batente.
Gosto dos barulhos que vão se formando devagar até que o caos se instale no meio do dia.
Gosto do barulho do jornaleiro, do lixeiro, dos rituais matutinos que me enchem de imaginação para compor qualquer coisa que me dê na telha.
Eu adorei a nossa tarde.