Total de visualizações de página

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Sequestro por telefone


Por mais que nós escutemos falar que a violência está demais, a gente só se dá conta da dureza dessa verdade, quando acontece conosco. Ou com alguém próximo à nós.

E com a violência, vem todos os traumas que ela gera.

Temos ouvido falar muito de casos de bandidos que ligam para nossa casa e simulando o sequestro de uma pessoa da nossa familia, pedem um resgate.

Uma vez inclusive, em um desses cansativos e chatos programas vespertinos, um coronel da Policia Militar, ensinava tintin por tintin como agir em casos como esse.

Ontem, tive a oportunidade de colocar em prática esses conhecimentos.

Eu não desejo isso para meu pior inimigo, porque é uma barra sem fim, você lembrar de fórmulas quando a situação está realmente acontecendo.

Tenho uma vizinha, uma senhorinha que mora sozinha. Ela é advogada, independente,namoradeira e bem resolvida financeiramente. Pois é.

Essa senhora alegre, por volta das 10 horas da noite,toca a campainha da minha casa e me entrega um bilhete.

Ela chorava enquanto falava ao telefone.

Estranhei.

No bilhete dizia:Fulana está nas mãos de sequestradores. Eles querem um resgate.

Pirei.

Foi tudo muito rápido, mas maridinho foi de uma eficiência sem fim, ligamos para a policia, pois percebemos logo que se tratava do golpe do sequestro pelo telefone.

Dificil foi convencê-la que a filha não ia morrer nas mãos dos bandidos. Dificil foi fazê-la não sair de casa, dificil foi ouvir a voz grosseira do bandido fazendo ameaças, dificil foi ver a Juju, de 8 anos, chorando desesperada...

Foi um horror!

A atendente do 190 foi eficiente, nos mandou impêdi-la de sair e nos passou para a Divisão anti-sequestro que foram de uma eficiência sem fim: Conseguiram acalmá- la e localizar sua filha em 20 min aproximadamente.

Mas nós tivemos um trabalhão. Tivemos que esconder a chave do carro porque minha vizinha queria porque queria ir ao banco, retirar a quantia pedida pelos bandidos.

Olha de uma crueldade...

Meu único pavor enquanto eu a acalmava era de estar fazendo a coisa errada.

E se a filha dela estivesse realmente na mãos dos bandidos?

Ela jurou ouvir voz da filha gritando ao telefone.

Eu, com bases em meus ensinamentos adquiridos na tv,a contradizia, e tentava tranquilizá-la.O coronel falou que em estados de tensão, a gente tende a ouvir a voz de quem a gente ama, embora não seja a pessoa.

Depois que tudo ficou bem, tive insônia, formigamentos, tremeliques...

A bem da verdade, já estava com todos essses sintomas antes.Foram apenas potencializados por causa da situação de estresse.

A noite toda minha cabeça não parava de pensar: e se fosse verdade? e se a filha dela tivesse realmente nas mãos dos bandidos? E se o pior tivesse acontecido?